EMERGÊNCIA DA MENTE

Dentro da teoria da evolução, diversos aspectos se apresentam muito mais como hipóteses do que teorias com evidências comprovadas, e um destes aspectos é o surgimento da mente ou racionalidade humana.

O documentário, “Humanos. Quem somos nós? disponível em:

https://www.youtube.com/watch?v=14ZY8wrJZDY, (se desejar visualizar em outra aba/janela, clique com  o botão direito do mouse e escolha a opção),  apresenta possibilidades de como e quando isto pode ter acontecido.

No entanto, não se objetiva esclarecer como ou quando isto aconteceu, mas se busca identificar e compreender as consequências daí derivadas.

Uma inferência que apresenta uma boa perspectiva para  compreensão das mudanças ocorridas em função da emergência da mente/racionalidade, encontra-se no filme de ficção científica, “2001 - Uma odisseia no espaço” produzido na década de sessenta por Stanley Kubrick com a colaboração de Artur C. Clarke, especialmente sua parte inicial, também denominada “Aurora do homem”, que pode ser visualizado no You Tube, no endereço:

https://www.youtube.com/watch?v=ypEaGQb6dJk.

Paralelamente ao roteiro, em parte baseado nele, Artur C. Clark, escreveu o romance de mesmo título, que apresenta muito mais detalhes do que o filme, mas, da mesma forma, aponta para a “grandeza mítica” da epopeia humana, como Stanley dizia. (CLARK, 2015, p. 14).

Mas se, ao invés de fixar-se a observação apenas nas partes, hominídeos ou a espécie humana, observar-se o todo, a comunidade de hominídeos em relação aos indivíduos, ou ao ambiente todo em relação aos hominídeos, verificar-se-á que significativas mudanças desestabilizadoras ocorreram.

Uma versão comentada do vídeo anteriormente indicado, disponível no endereço:

http://www.saudavelesustentavel.org/videos/2001.mp4, tenciona apresentar estes aspectos.

Face a possibilidade de não acesso ao vídeo, elenca-se aqui os aspectos fundamentais nele percebidos.

Anteriormente ao aparecimento do monólito que desperta nos hominídeos a mente/inteligência/racionalidade, a convivência e disputa pelos recursos alimentares, entre outros necessários a sobrevivência, entre os hominídeos e os demais concorrentes é desprovida de agressões mais violentas, pois as incapacidades relativas dificultam-nas. No entanto, a crueldade da relação presa/predador, existente em todas as situações, é evidenciada pelo ataque do leopardo a um hominídeo, que é dilacerado, e os demais fogem, incapazes de qualquer ação defensiva.

Após o despertar da mente/inteligência que observa, experimenta e utiliza-se de objetos que ampliam suas capacidades, os ou alguns hominídeos passam a exercê-las, modificando completamente as relações, tanto intra como interespecíficas.

Aquele que era um pequeno presa/predador/concorrente, adquire a capacidade de se tornar predador absoluto de todos os demais seres vivos, inclusive os de sua própria espécie. Até os animais de grande porte podem ser por ele vencidos. Nada mais é páreo para o “novo” ser humano.

Neste vídeo, a emergência da mente/racionalidade é concebida como evento pontual, despertado por forças externas. Outras teorias optam por considerar esta emergência um evento gradativo que poderia ter durado, inclusive, milhões de anos.

Independente da probabilidade maior ou menor, desta ou daquele teoria, parece lógico concluir que é a partir deste ponto que não só os sistemas naturais começam a ser desequilibrados como as relações das partes dentro do sistema humano, que veria a constituir o sistema cultural, se torna desequilibrado.

A seleção natural dos mais aptos, base da teoria da evolução, começa a ser substituída pela seleção cultural, baseada nos interesses/emoções de indivíduos ou grupos de indivíduos. Esta substituição cresce com o decorrer do tempo, conforme o poder do ser humano se amplia pela utilização e criação de novas ferramentas, como descrevem Burke e Ornstein (1999) em seu livro, “O presente do fazedor de machados”, em que o machado é considerado apenas a primeira ferramenta de grande impacto sobre a natureza, seguido de uma série de outros inventos, até os modernos computadores.

A disputa pelos recursos necessários a sobrevivência se amplia e se torna competição, em que a obtenção do recurso já não é o suficiente, mas a eliminação do concorrente se torna quase que o objetivo primordial.

Não bastasse a substituição da seleção natural pela cultural, outro fator importante da teoria da evolução, pelo menos da moderna teoria da evolução, a mutação aleatória, também vem sendo substituída, com mais ênfase na atualidade, face aos recentes avanços científicos. Também aqui são os interesses/emoções dos indivíduos, mesmo que coletivamente, que determinam as mutações desejáveis.

Não obstante todas as capacidades derivadas da emergência da mente/racionalidade humana que integram a cultura humana, capazes de desequilibrar e provocar enormes danos a todos os sistemas naturais e também sociais, mesmo tendo-se deslocado de posição intermediária para o topo da cadeia trófica, excetuados os decompositores, a espécie humana continua fazendo parte dos sistemas naturais, da biosfera terrestre, e como tal, tem sua sobrevivência dependente da sobrevivência destes sistemas.

A existência dos decompositores no topo da cadeia alimentar torna explícita a transitoriedade pela vida como indivíduos. Admitida a teoria da evolução, seria também lógico aceitar seu prosseguimento, e em tal situação admitir que a mesma não se esgotaria na espécie humana, mas prosseguiria em evolução, com ou sem extinção da espécie humana.

BURKE, J.; ORNSTEIN, R. O presente do fazedor de machados: os dois gumes da história da cultura humana. Trad. Pedro Jorgensen Jr. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999.

CLARKE, A. C. 2001: uma odisseia no espaço. Trad. Fábio Fernandes. São Paulo: Aleph, 2015.

Usar a mente/racionalidade para contribuir com a evolução, amenizando a crueldade da cadeia trófica, é coerente com o pensamento de Pascal (1973, p. 80), quando diz: “O homem é visivelmente feito para pensar; é toda a sua dignidade e todo o seu mérito; e todo o seu dever consiste em pensar corretamente. “

Pensar corretamente é aonde se pretende chegar, partindo e produzindo um senso comum esclarecido, e finalmente um projeto de civilização, pela participação do maior número possível de pessoas verdadeiramente preocupadas e interessadas com o futuro da humanidade.

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PASCAL, B . Pensamentos. Trad. Sergio Milliet. São Paulo: Ed. Abril Cultural, 1973.

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